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    Cupim-de-montículo

    Leia a matéria completa.

    Na foto: Comparação entre soldados de Cornitermes – menor – e Syntermes – maior.

    Pouco se sabe sobre a dinâmica das populações dos cupins. Embora estejam presentes em praticamente todas as regiões pastoris do Brasil, constata-se, no entanto, diferenças quanto aos níveis de infestação. Segundo alguns autores, o número de colônias varia em função de diversos fatores, incluindo vegetação, solo, clima, espécie, assim como o tempo em que a área permaneceu inalterada.

    A característica mais importante do solo para os cupins que constroem montículos é a proporção de areia, silte e argila. Para o estabelecimento da colônia, é necessária a conjugação de dois fatores: a disponibilidade de alimentos e o material necessário para a construção do ninho.
    No Brasil, frequentemente se afirma que a ocorrência dos cupinzeiros está restrita a solos muito pobres, em especial, os ácidos. Em estudos recentes, verificando-se a influência de diferentes práticas de manejo de solo sobre cupins subterrâneos e de montículos, não se constatou efeito direto da calagem sobre a infestação.
    Há um componente cultural arraigado na atividade pecuária brasileira, o qual vincula altas infestações de cupinzeiros ao abandono e/ou manejo inadequado das pastagens.
    Se, de um lado, altas infestações podem ser facilmente encontradas em pastagens, de outro, não está bem claro se causam danos diretos a elas. Essa dúvida existe, talvez, por não se conhecer o suficiente a respeito dos hábitos alimentares do inseto. Há autores que mencionam espécies que se alimentam de folhas, ramos, sementes e outros restos vegetais, depositados na superfície do solo, e, só eventualmente, em tecido vegetal vivo. Esse parece ser o caso de Cornrnitennes Cumulam predominante nas pastagens do Sudeste e em parte das regiões do Centro-Oeste, Sul e Nordeste.
    Num dos raros trabalhos conduzidos na tentativa de se avaliar os possíveis danos causados, os autores concluíram, após observações conduzidas por 16 meses, que a eliminação do cupim-de-monticulo (densidade media de 170 cupinzeiros/lia) nào alterou a produção de matéria seca, a qualidade da pastagem, bem como a cobertura vegetal. Mencionaram que poderiam ser até mesmo benéficos, sob o ponto de vista de fertilidade de solo.
    Tal fato estaria associado com o aumento no teor de matéria orgânica, provavelmente devido à incorporação de resí-duos vegetais, e de material fecal e salivar com o solo.

    DANOS INDIRETOS

    Quanto aos possíveis danos indiretos atribuídos à espécie C cumulam, mencionam-se inconvenientes como a redução da área útil das pastagens, o fato de cupinzeiros abrigarem animais peçonhentos, de dificultarem a movimentação de máquinas e, até mesmo, de depreciarem a propriedade.
    O argumento referente à redução da área útil das pastagens é, também, questionável. Num levantamento realizado no norte de Mato Grosso do Sul, a área média ocupada por cupinzeiro era inferior a 0,5 m². Assim, mesmo para uma infestação de 200 cupinzeiros por hectare, a área útil reduzida seria de apenas 1%. Dados semelhantes foram encontrados por outros autores, em diferentes locais e com diferentes espécies de cupins.

    Cupinzeiros podem abrigar animais peçonhentos, em verdade, cupinzeiros podem conter uma diversidade de organismos. Há estudo indicando C. cumulam como espécie chave em seu habitat natural, tal é a quantidade de animais associada com seus ninhos. Além de várias espécies de cupins, referidas como inquilinas, e outros insetos intimamente relacionados com os cupins (os termitófilos), nos cupinzeiros de C. cumulam podem ser encontrados abelhas, vespas, aranhas, escorpiões, centopeias, assim como roedores, lagartos e cobras. Estes três últimos se alojam em cupinzeiros abandonados, que ainda são passíveis de erosão, originando buracos na pastagem, constituindo risco de fratura aos animais do rebanho.

    Outro inconveniente refere-se à movimentação de máquinas e implementos, prejudicados em pastagens altamente in-festadas.
    A ideia de abandono ou de que altas incidências depreciam a propriedade está firmemente estabelecida no meio rural. Independente de possíveis danos diretos ou indiretos, esse conceito é, talvez, o mais contundente na decisão por controlar os cupins-de-montículo. Má autores que questionam se eles representam prejuízo real ou se, na verdade, resumem apenas o que denominaram de “praga estética”. A verdade, todavia, é que, seja qual for a motivação, a demanda por medidas de controle tem sido uma constante. Embora se questione danos causados pelo C. cumulam, reconhece-se que cupins do gênero Syntermes, por vezes, também encontrados em pastagens, causam danos diretos, forrageando, à semelhança de formigas cortadeiras. Felizmente, são menos frequentes em pastagens.

    CONTROLE

    Nas áreas infestadas, o controle tem sido feito predominantemente através do uso de inseticidas químicos. Estes são introduzidos no cupinzeiro por perfuração feita com uma barra de ferro pontiaguda e uma marreta, usando-se produtos inseticidas registrados. Para a espécie C. cumulam, sugere-se que a perfuração do cupinzeiro atinja o núcleo ou endoécio. Para o caso de cupinzeiros de Syntermes que afloram à superfície, onde não se constata facilmente um núcleo e, devido ao fato de que esses poderem ocupar areas de vários metros quadrados, recomenda- se: a) medir a área ocupada pela porção do cupinzeiro que aflora à superfície (multiplicando-se o maior comprimento pela maior largura); b) aplicar o inseticida através de perfurações feitas no cupinzeiro (uma perfuração para cada metro quadrado). Deve-se penetrar a barra de ferro atravessando a camada de solo exposto, atingindo 20 cm abaixo do nível do solo. Caso sejam encontrados os orifícios por onde transitam os cupins desse gênero, mesmo que já obstruídos, sugere-se desobstruí-los e, através deles, introduzir o produto. Embora não haja recomendação resultante de trabalho de pesquisa, sugere-se também que a aplicação seja feita na base de um orifício por metro quadrado.
    Os produtos a serem utilizados deverão ter registro para esse fim junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O princípio ativo Fipronil (Regent 20G) 1g/cupinzeiro, tem sido amplamente utilizado. Este produto, além do método tradicional por perfuração, poderá ser aplicado simplesmente retirando-se uma tampa transversal da superfície (topo) dos cupinzeiros, espalhando-se os grânulos sobre a parte exposta. É recomendável que se retome a tampa novamente ao local de origem, para cobrir o produto ali presente.

    O controle mecânico se revelou boa alternativa. Implementos acopláveis à tomada de força do trator, como a “broca cupinzeira”, e, posteriormente, numa nova versão, a “demolidora de cupins”, chegaram a ser comercializados e deixaram de ser produzidos.
    No entanto, tentativas de se controlar mecanicamente colônias de C. cumulam, quebrando o cupinzeiro em apenas dois ou três pedaços, ou simplesmente tombando-o, em geral não funcionam. Há grande possibilidade de que seja reconstruído.
    F. importante mencionar que, na maioria das vezes, pastagens altamente infestadas são, também, pastagens velhas e, portanto, passíveis de recuperação. Caso se planeje a recuperação da pastagem, recomenda-se, primeiro, que se efetuem os procedimentos de recuperação. A mecanização da área e a consequente destruição dos cupinzeiros reduzirão, em muito, a infestação. No caso de eventuais cupinzeiros remanescentes, estes ocorrerão, então, em menor número (e serão menores), facilitando o controle. É importante considerar que nas infestações por cupins de montículo, especialmente em pastagens mais velhas, boa parte dos cupinzeiros encontra-se abandonada. Este é um argumento adicional para que não se opte por controlar os cupins antes das práticas de recuperação da pastagem, pois muitos dos cupinzeiros seriam tratados sem necessidade. Cumpre ressaltar, no entanto, que estas informações referem-se a espécies do gênero Corniternies. Atenção especial deve ser dada às espécies pertencentes ao gênero Syntennes, cujos ninhos, em sua maioria, são subterrâneos. Tais cupins são menos afetados por práticas agrícolas e as espécies tornam-se abundantes.
    Outro aspecto a ser considerado é que, em contraste com a alta taxa de ninhos abandonados de C. cumulam, mencionada anteriormente, todos os ninhos de Syntennes examinados estavam ativos. Assim, no caso do controle deste em áreas de pastagens a serem recuperadas, a aplicação de um inseticida é necessária, admitindo-se ser mais eficiente pelo menos 30 dias antes da mecanização do solo. Nessa ocasião, com a área ainda inalterada, a localização dos ninhos , de Syntennes que afloram à superfície será mais fácil.

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